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Cidadania

16 de Dezembro de 2014 às 11h50

Que tal cuidar de uma horta no meio da cidade de São Paulo?

Hortelões urbanos se espalham pela cidade, promovendo educação ambiental e estimulando o convívio entre cidadãos

Foto: Pops Lopes

Talvez a maioria de nós, paulistanos, nunca tenha tido o prazer de plantar e colher sua própria comida. Isso era algo comum para as gerações anteriores, mas com o tempo fomos perdendo o contato direto com a terra e a natureza de modo geral. Felizmente, nos últimos tempos esse cenário tem mudado um pouco, graças ao surgimento dos chamados “hortelões urbanos” – hortas cultivadas por grupos de pessoas em espaços públicos da cidade.

A iniciativa começou com as jornalistas Tatiana Achcar e Claudia Visoni. Em 2011, enquanto a primeira viajava pelo mundo como voluntária em fazendas orgânicas para aprender mais sobre o manejo rural em pequena escala, a segunda testava esses conceitos em seu quintal e preparava oficinas sobre o assunto.

“Planto em casa há seis anos e sempre tive a preocupação de reduzir minha pegada ecológica. Descobri o impacto enorme que a produção de alimentos tem no meio ambiente e então percebi que se pudermos produzir pelo menos uma parte de nossa comida dentro da cidade, já estamos ajudando. A partir daí me propus a ser uma pessoa que passaria esse conceito para frente”, conta Claudia.

Juntas, elas decidiram criar um grupo no Facebook, chamado Hortelões Urbanos, para envolver outros interessados no assunto. As conversas evoluíram e não demorou para que surgisse a ideia de criar a primeira horta coletiva, que foi batizada de “Horta das Corujas” e instalada em uma área de 800 m² em uma praça na Vila Beatriz (zona oeste). A inauguração oficial foi em setembro de 2012, e hoje, anos mais tarde, o local permanece cheio de vida, com mais de 100 espécies de plantas e voluntários que se revezam para garantir seus cuidados.

Mesmo quem não trabalha na horta pode colher, desde que siga as orientações: levar apenas uma pequena quantidade e nunca arrancar a planta inteira. “Não é uma horta de grande produção. O objetivo não é o abastecimento, e sim promover a educação ambiental e nutricional e oferecer um refúgio para espécies da fauna e da flora”, lembra a jornalista.

Esse primeiro projeto inspirou muitos outros e a página do Facebook conta hoje com mais de dez mil seguidores, que trocam diariamente experiências e dicas sobre plantio orgânico de alimentos. A paixão dessas pessoas resultou na criação e manutenção contínua de dez hortas urbanas, iniciativas independentes espalhadas pelos quatro cantos da cidade, em bairros como Bela Vista, Pompeia, Campo Limpo, Saúde, entre outros. O site do Movimento Urbano de Agroecologia de São Paulo (www.muda.org.br) traz um mapa de todas as hortas em atividade.

Se você gostou da ideia e já está pensando em como implantá-la em uma praça ou outro espaço do seu bairro, a indicação de Claudia é antes de tudo conversar com aqueles que frequentam o local para verificar se também têm interesse em cuidar das plantinhas. Depois disso, um segundo passo é participar de uma das reuniões abertas do CADES (Conselho Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável). “Montar uma horta urbana não é proibido, já que ainda não existe legislação sobre o assunto. Mas é legal comunicar a subprefeitura e buscar apoio de outros cidadãos”, recomenda.

Que tal conhecer e ajudar a cuidar de um dos hortelões da cidade? Veja abaixo alguns endereços:

Horta das Corujas
Av. das Corujas, esquina com a R. Paschoal Vita – Vila Beatriz

Horta do Ciclista
Praça do Ciclista, próxima ao cruzamento da Av. Paulista com a Av. Consolação – Bela Vista

Horta Comunitária da Saúde
R. Paracatú, 66 – Saúde

Para ver o passo a passo de como criar uma horta comunitária, clique aqui.

indicas.com.br

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