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Comer e Beber

04 de Setembro de 2015 às 10h16

Descubra o mundo dos vinhos

Sommeliers ensinam o básico para quem quer começar a se aventurar com a bebida

Especialistas acreditam que o vinho tenha surgido em 4.000 a.C., quando as primeiras prensas e outros equipamentos vitivinícolas foram encontrados na Armênia. O dado nos faz lembrar de que ele faz parte da história da humanidade e é uma paixão compartilhada pelos quatro cantos do mundo. Não à toa, afinal, poucas bebidas oferecem um universo tão rico – e delicioso – a ser explorado.

Se você tem muita curiosidade, mas ainda não tem o conhecimento, veja a seguir dicas e ensinamentos básicos de quatro especialistas e comece sua jornada pelo mundo de Baco, o deus do vinho:

COMO LER UM RÓTULO?

É normal se sentir confuso na hora de ler rótulos de garrafas, principalmente porque eles podem variar bastante – enquanto uns são mais detalhados, outros são bem genéricos. Mas existem algumas informações que costumam estar presentes. São elas:

- Nome do vinho

- País de origem

- Produtor

- Nome da vinícola responsável pelo vinho

- Nome da uva (neste caso, o rótulo mostra que o vinho foi feito exclusivamente com essa variedade. Isso não aparecerá nos vinhos derivados de “blends”, misturas entre uvas)

- Safra (o ano indica quando as uvas foram colhidas, mas não necessariamente que o vinho foi engarrafado naquele período)

- Grau alcoólico (é uma informação que precisa obrigatoriamente estar no rótulo, inclusive porque o álcool altera as características do vinho)

- Nome da região (esse dado nem sempre está presente nos rótulos, mas é bastante útil para o apreciador do vinho, já que procedência muitas vezes é sinônimo de qualidade)

Reserva, Gran Reserva ou Reservado

Esses termos têm uma legislação diferente em cada país, por isso a primeira coisa a se fazer é ver a origem da bebida. Na Espanha, por exemplo, um vinho só ganha o nome “Reserva” quando amadureceu 36 meses, sendo pelo menos 12 deles em barricas. Já em países como Chile e Argentina não existe uma lei que regulamente o assunto, mas o termo “Gran Reserva” indica que ele foi produzido com mais cuidados, de maneira mais complexa.

QUAIS SÃO AS DIFERENÇAS ENTRE AS UVAS?

A complexidade dos vinhos está diretamente relacionada com as variações entre as uvas. Há diversas espécies e cada uma tem características únicas. “Umas são mais ácidas, algumas são mais generosas no açúcar, outras têm a casca mais grossa, e por aí vai”, explica Manuel Luz, sommelier da Cantu.

Além disso, é muito importante considerar o local onde a videira foi plantada, pois todos os elementos que interagem com a uva influenciam no vinho. Segundo André Luiz Zangerolamo, sommelier da importadora World Wine, alguns deles são: tempo de exposição solar, nível de chuva anual, proximidade com o mar e tipo de solo. “Há degustações em que provamos vinhos de um mesmo produtor, elaborados com a mesma uva, porém em diferentes locais, e eles acabam tendo um caráter bastante individual”, conta.

Desconsiderando as influências das regiões, que podem modificar bastante o resultado final do vinho, saiba mais sobre as características de oito uvas:

Cabernet Sauvignon (tinta)

Muito difundida em Bourdeaux, na França, mas também cultivada em praticamente todas as regiões do mundo, por se adaptar facilmente a vários tipos de terrenos. Dá origem a tintos encorpados, que quando envelhecem em barricas de carvalho ficam cada vez melhores. Tem grande concentração de taninos e aroma agradável de fruta.

Carménère (tinta)

É a uva mais representativa da identidade chilena. Cria vinhos escuros, de média intensidade, com taninos equilibrados e baixa acidez. Aromaticamente revela ervas e especiarias, como pimenta e alecrim.

Malbec (tinta)

É a grande casta argentina e representa 50% do mercado do país. Geralmente apresenta vinhos encorpados, quase roxos, com taninos muito suaves e notas de frutas pretas maduras, como ameixa, com toques de chocolate e baunilha. Adapta-se muito bem ao carvalho.

Merlot (tinta)

É uma das uvas mais plantadas do mundo. Semelhante à Cabernet Sauvignon, porém com menos taninos. Seus aromas lembram frutas pretas e vermelhas, como framboesa e morango. Também adora o contato com carvalho, que torna o vinho desta casa ainda mais equilibrado e com notas de tabaco.

Pinot Noir (tinta)

Cepa de produção bastante difícil e que se adapta perfeitamente a climas mais frios, a Pinot Noir nos brinda com vinhos geralmente leves, claros, com taninos finos e boa acidez. No nariz revela notas de frutas vermelhas frescas, com toques florais e herbáceos.

Chardonnay (branca)

É considerada a rainha das uvas brancas e se adapta bem em diversas partes do mundo. Cria vinhos brancos encorpados, com boa acidez e sensação amanteigada no paladar. Seus aromas lembram frutas brancas e tropicais, como abacaxi e maçã, além de notas de baunilha e mel. É uma das poucas uvas brancas que trabalham bem em conjunto com as barricas de carvalho.

Sauvignon Blanc (branca)

Sinônimo de refrescância, essa uva se adaptou muito bem em países como Nova Zelândia, França, África do Sul, Chile e Argentina. É responsável por vinhos bastante vibrantes (ácidos), com toques herbáceos e aromas de frutas cítricas, por exemplo tangerina e maracujá. Raramente envelhece em carvalho.

Riesling (branca)

De origem alemã, a Riesling é considerada uma uva diferente e misteriosa. Produz vinhos com grande estrutura e acidez, que costumam revelar frutas cítricas, damascos, notas de mel e toques minerais, que lembram os aromas frescos do mar. É plantada em poucos lugares no mundo, sempre em locais de clima frio.

POR QUE ALGUNS VINHOS SÃO FEITOS COM MAIS DE UM TIPO DE UVA?

Os “blends” ou “vinhos de corte” são o resultado da busca das vinícolas por uma bebida perfeita, com o melhor de cada uva. “Hoje sabemos sobre as características das uvas e os vinhos que produzem, por isso elas são tratadas como ingredientes. Os produtores atuam como se estivessem preparando um prato em um restaurante, com o objetivo de mostrar ao consumidor um sabor específico, de própria autoria”, explica Max Cohn, que comanda a equipe de sommeliers da Interfood. “Às vezes, as variedades misturadas e a proporção entre elas é, inclusive, um segredo guardado a sete chaves, para que nenhuma outra vinícola possa reproduzir aquele sabor”, conclui.

AFINAL, O QUE SÃO "TANINOS"?

Os taninos são compostos vegetais que formam a cor vermelha dos vinhos tintos e causam a sensação de “amarrar” a boca. Conforme explica Otávio Albuquerque, fundador da Expand, “são elementos que vêm da casca da uva e ajudam o vinho a envelhecer bem. Quando o vinho ainda é jovem, os taninos podem ser fortes e incômodos, mas com o tempo vão sendo 'domados' e tornando a bebida mais elegante”.

COMO ARMAZENAR UM VINHO SEM TER ADEGA?

Quem não possui uma adega climatizada pode guardar vinhos em casa por cerca de seis meses. “O importante é deixar em um local sem influência de aromas ou mudanças de temperatura, e também ao abrigo da luz. Outra recomendação é colocar as garrafas deitadas para que o líquido toque a rolha de cortiça. Quando úmida, a rolha tem menos chance de permitir a entrada de oxigênio, que em grande quantidade pode estragar o vinho”, destaca o sommelier André Zangerolamo.

Os rosés, espumantes e brancos devem ficar na geladeira.

QUAL É A TEMPERATURA IDEAL NA HORA DE SERVIR?

A temperatura de serviço correta para vinhos tintos varia entre 15°C e 18°C. Altas temperaturas trarão um desequilíbrio em relação à acidez e ao álcool, enquanto baixas farão com que a análise olfativa seja mais difícil. Os brancos, por outro lado, devem ser servidos mais gelados, entre 8°C e 12°C. Se estiverem quentes, ficarão mais ácidos e desagradáveis na hora da degustação.

“Uma brincadeira interessante é servir o mesmo vinho em três temperaturas diferentes – como 14, 18 e 23 graus – e pedir para que os presentes identifiquem os vinhos e façam um ‘ranking’ entre eles. Garanto que a maioria pensará que são três rótulos distintos”, sugere o especialista Otávio Albuquerque.

QUAIS SÃO AS DICAS PARA QUEM ESTÁ COMEÇANDO A DEGUSTAR?

“Degustar é beber com atenção. Atenção ao nome do vinho, ao país de origem, ao produtor, à uva, ao aroma, às sensações que o vinho provoca na boca”, resume o especialista Max Cohn. Mas sua dica, para quem ainda é amador no universo do fermentado, é começar com vinhos simples e jovens – ou seja, das safras 2012, 2013 ou 2014.

Em um momento inicial, o importante é buscar repertório e provar rótulos das mais diferentes uvas para tentar sentir suas diferenças. Com o tempo, essas experiências vão trazendo memória olfativa e gustativa, o que ajudará nas escolhas posteriores. “Parece bobo, mas parar para sentir os cheiros das frutas no mercado será de grande ajuda no começo”, aconselha André Zangerolamo (World Wine).

A TAÇA INFLUENCIA NA DEGUSTAÇÃO?

“A escolha da taça é 50% do sucesso da degustação e os outros 50% se dão pela temperatura. Um grande vinho ‘morre’ em uma taça errada ou com a temperatura fora do padrão. Já quando tudo está adequado ele ganha vida e vigor, mostrando todas as suas qualidades e virtudes”, destaca Otávio Albuquerque.

Para quem não quer desembolsar uma fortuna em taças, a primeira dica é ter uma "coringa" no padrão ISO (International Standards Organization), que serve para qualquer tipo de vinho. Quando já estiver mais familiarizado com os vinhos e quiser tirar o melhor de cada bebida, o apreciador pode adquirir uma taça para brancos, duas para os diferentes tipos tintos (Bordeaux e Borgonha) e uma para espumantes.

Na hora da compra, deixe de lado qualquer uma que não seja completamente transparente, afinal, parte do prazer de degustar um vinho também está em olhar para suas tonalidades, que dão dicas sobre o tipo de uva e idade da bebida.

EXISTE ALGUM SEGREDO PARA ACERTAR NA HARMONIZAÇÃO?

Harmonizar pratos com vinhos pode ser mais simples do que parece. A regra de ouro é: “comidas leves pedem vinhos leves, enquanto pratos condimentados e pesados precisam de vinhos mais encorpados”, explica Manuel Luz. De modo geral, os tintos caem bem com carnes, massas e risotos. Os rosés, brancos e espumantes combinam com peixes e carnes brancas.

Um bom truque para quem ainda tem medo de se arriscar é servir um espumante ou um Pinot Noir durante toda a refeição, pois eles harmonizam até com feijoada. “Mas o importante é não ter uma regra fixa, pois os paladares mudam muito e cada pessoa precisa levar em conta sua própria experiência”, lembra o especialista.

indicas.com.br

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